Em fevereiro, viajei em família até à Madeira durante quatro dias, pela primeira vez.
Quando marcámos a viagem, nem
pensámos que iríamos estar em pleno Carnaval. Só perto da altura da partida é
que nos caiu a ficha. Foi um bónus excecional!
Não somos uma família m
Hoje quero partilhar com vocês a nossa aventura, sem planos, muito livre e descontraída, com coisas que nos maravilharam e outras que não conseguimos concretizar.
Carro sim ou não?
Optámos por alugar um carro.
Foi-nos dito que há imensos autocarros, com inúmeras excursões para
praticamente todos os cantinhos da ilha, e de facto verificámos isso, pois é
muito fácil encontrar informação sobre esses passeios. O carro dá-nos a liberdade
de irmos onde queremos, sem horários e sobretudo, dá imenso jeito quando se tem
crianças ainda pequenas.
Alojamento
A escolha é farta, e há preços
para todas as carteiras. O facto de termos marcado com enorme antecipação,
permitiu-nos um bom preço, num aparthotel com pequeno-almoço incluído, a 20 minutos
a pé da Marina do Funchal, sempre caminhando perto do mar.
A primeira impressão ao chegar
Percebe-se rapidamente que a
Madeira vive do turismo. O cuidado em manter tudo limpo é bem evidente no
Funchal. Não se vê lixo no chão (nem pastilhas coladas, juro que não me
apercebi!), e tudo está repleto de flores, cuidadosamente arranjadas.
E há bananeiras em todos os cantinhos! Como fomos no Carnaval, a preocupação com a limpeza foi notoriamente maior, com funcionários camarários a manter tudo limpo em várias alturas do dia e da noite.
Temperaturas
Chegámos depois das 20 horas e
fomos surpreendidos por uma tromba de água. Estava a ver que nos dava uma coisa
má, mas durou apenas 15 minutos. Os restantes dias, esteve a temperatura ideal
para o passeio: 20 a 22º C durante o dia e noites a 14/16º C.
Locais visitados
Curral das Freiras – gostámos pela singularidade da aldeia, completamente enfiada no meio de penhascos. Faz-nos transportar a locais longínquos, como o Tibete. Percebe-se que as pessoas que lá vivem, facilmente ficam isoladas no inverno. É um local curioso, mas eu não gostaria de lá viver para sempre.
Porto Moniz – fica no
norte da ilha. O trajeto até lá foi deslumbrante: muita vegetação, penhascos e
cascatas à beira da estrada. Tem umas piscinas naturais muito bonitas que não
podemos desfrutar por falta de roupa de banho, e água estava um pouco fria. Tem
ainda um aquário pequeno. Fomos visitar, mas achámos carote!
Santana – visitámos as
casas típicas de Santana. Uma delas é o posto de turismo e outras são lojinhas
de artesanato. Esperava ver muitas mais, assim ao estilo aldeia do Astérix e
Obélix. Aqui comemos uma boa costeleta que ocupou todo o prato…um exagero!
Câmara de
Lobos, Estreito de Câmara de Lobos e Cabo Girão - praticamente colado
ao Funchal, Câmara de Lobos é muito giro. É uma vila piscatória com
recantos engraçados a visitar. As maravilhas estão mesmo nas ruelas, casinhas,
portas, e pequenas lojas. Depois fomos ao Cabo Girão que é a ponta mais a oeste
da ilha com um miradouro a 580 m de altura e uma plataforma envidraçada. Devo
dizer que isto é para os não têm medo de alturas. Eu não me aproximei, mas quem
foi disse que a vista é impressionante. Não pagámos o acesso na altura, mas os
torniquetes que lá estavam começaram a funcionar dias depois.
Acabámos a manhã deste dia a comer uma ótima espetada com milho frito no Estreito de Câmara de Lobos. Aí também experimentamos a famosa poncha. Malta, aquilo é forte! Há várias: de maracujá, tradicional, à pescador e de tangerina. Bebi a tradicional e só vos digo que ainda bem que não era eu que conduzia nesse dia…
Machico e Caniço – tem uma praia, a praia do Garajau (nome de uma ave característica), acessível por um teleférico que cai praticamente a pique! Outra sensação forte! Em Machico passeamos à beira-mar. Infelizmente não foi um longo passeio, pois foi no último dia, horas antes de irmos para o aeroporto. Mas a despedida fez-se com um ótimo peixe espada frito com banana e maracujá (recomendo mesmo) e um bom bife de atum.
Funchal – dedicamos dia e meio
ao Funchal e todas as noites. Passeia-se muito bem a pé, pois tudo é plano e
com avenidas largas. Com crianças, fica claro que ir ao Museu CR7 é uma
evidência. Sou honesta: fui obrigada. Mas os miúdos viram todos os troféus e
tiraram fotos com a estátua de cera do Cristiano e foi como um sonho realizado.
É muito agradável passear na baixa do Funchal, há imensas curiosidades para
ver.
A Rua de Santa
Maria repleta de restaurantes e com pinturas em todas as portas, é um mimo. O
Parque de Santa Catarina e o Palácio de S. Lourenço merecem uma visita.
Subimos ao Monte no teleférico e ficámos deslumbrados
com a mistura de vegetação e arte no Jardim Monte Palace. É mesmo imperdível.
Posso até confessar que o mais novo da família classificou este lugar como o
melhor de todos, acima do Museu CR7.
Nunca tínhamos
visto um desfile de Carnaval a sério, e o dia do desfile alegórico ao estilo brasileiro
foi muito bom! O desfile começou às 20h, fomos a pé tranquilamente e sem nos
sentirmos apertados no meio da multidão. Facilmente arranjámos um lugar, sem
apertos e com ótima visibilidade. Percebe-se rapidamente que é uma festividade
levada a preceito.
A entrada de cada grupo na Avenida do Mar é cronometrada, os grupos tem todos um porta-estandarte, várias conjuntos de roupas e coreografias distintas, músicas próprias, carro alegórico e uma bateria (conjunto de percussão, que para mim foi do melhor que já vi). Não ligamos nada ao Carnaval, mas achamos isto um momento imperdível.
Foi pena…
Como vos disse, a nossa organização não é a melhor e ficou por ver o Mercado dos Lavradores (se calhar a maior falha de todas), não andámos nos carros de cestos (aqui houve uma falha de informação, pois isto fica muito perto da entrada do Jardim Monte Palace, e eu tinha visto que havia descidas ao domingo, mas chegados ao teleférico fomos informados do contrário) e ficaram por ver locais noutros pontos da ilha como Porto da Cruz, Faial, São Jorge e o ponto mais alto, o Pico Ruivo (para ir a este, foi-nos dito que é preciso consultar com exatidão o estado de tempo, pois o nevoeiro é frequente e não deixa apreciar a paisagem em todo o seu esplendor). Também não nos aventuramos a fazer nenhuma levada…exigiria alguma preparação física da nossa parte.
Tudo o que ficou
por fazer será um bom motivo para voltar.
Considero que
a nossa pérola do Atlântico, é na verdade um diamante que vale a pena
descobrir!
(fotos de autoria de Sandrina Martins e de Sérgio Vinhas)
(texto da autoria de Sandrina Martins)
Sem comentários:
Enviar um comentário