O macramé é uma arte milenar que permite criar peças artesanais únicas, tendo ganho maior número de adeptos graças ao seu caráter bastante versátil ao nível da decoração de interiores e não só, desde o estilo mais clássico e vintage até ao estilo mais moderno e minimalista: ficou interessado?
Sem dúvida que a técnica do macramé virou tendência no mundo da decoração, permitindo ao mesmo tempo trazer a beleza da natureza para os interiores, criar espaços aconchegantes e ainda dar um toque original aos ambientes, enriquecendo, lá está, cada lugar, tornando-o simplesmente único!
No meu caso em particular, meu caro leitor, eu lembro-me de aprender a fazer um "porta-vasos", no meu tempo de criança, mas existe toda uma história por detrás do macramé desde o seu aparecimento, talvez por volta do século XIII, de acordo com a maioria dos especialistas, até que, numa era atual cada vez mais online, se transformará cada vez mais numa das poucas oportunidades para relaxarmos e para nos desconectarmos do mundo, melhorando, assim, a nossa própria forma de nos exprimirmos com o mundo à nossa volta e de sermos criativos:
"Embora os praticantes moderno do macramê usem os mesmos nós e técnicas de rainhas, marinheiros e vitorianos, eles continuam a encontrar novas formas de refletir o momento atual, produzindo itens que vão de roupas boho-chic e bolsas a joias ultramodernas e home decor."
(fonte: https://www.domestika.org/pt/blog/8680-historia-do-macrame-de-teceloes-arabes-a-moda-coachella)
Vamos, portanto, ficar hoje a par de mais um tipo de artesanato cada vez mais atual, tendo em conta a entrevista apresentada já de seguida e que eu tive oportunidade de fazer a Vanda Coelho, a própria criadora do Projeto Infinitiy Knot, a quem eu desde já agradeço o tempo dispensado, sobre o qual também voltaremos a falar mais tarde na Revista P´rá Mesa, fique atento!
1. Como e quando surgiu a ideia de criar o projeto Infinity Knot?
Vanda Coelho: Foi numa fase de transição da minha vida, a entrada nos 30 pareciam-me o fim de muitas portas e questionava o meu caminho profissional. Na mesma altura, já produzia várias peças em macramé para oferecer; Por incentivo de uma amiga, acabei por criar o projeto. Infinity knot, tratava-se de uma marca de macramé com várias vertentes, ao longo dos anos, foi mudando a minha óptica e a marca acompanhou, apesar do nome se ter mantido.
2. Será que sempre foi uma apaixonada pelo mundo das artes? Porquê?
Vanda Coelho: Sim, pode-se dizer que sim, sou licenciada em multimédia. Em miúda dizia que ia ser fotógrafa, mas quando chegou a altura de escolher só a fotografia não sentia que me fosse preencher, não era suficiente para mim. Detestava fotografia de casamento ou a ideia de ficar numa loja à espera que viessem fazer a fotografia do passe, que era o que conhecia na altura. (anos 2000) A minha fotografia é caracterizada por detalhes e pormenores que normalmente, ninguém vê. Macro abstrato é o meu estilo predominante, só agora é que sei (sorriso envergonhado) mas para os amantes de fotografia por aqui podem espreitar @somacro_lover. Cheguei a fazer várias exposições fotográficas e obtive alguns prémios em concursos. Mas quando ingressei aos 19 anos na universidade o mundo virou de pernas para o ar. A arte manual que estava habituada a criar (pintura/desenho/escultura) desapareceu do meu dia a dia. Passei a conviver com um mundo artístico digital que não conhecia, mas que inicialmente me fascinou, por ser tão vasto e trazer tantas oportunidades. Por vários motivos, os anos que se seguiram aos estudos estive afastada dos trabalhos manuais e artes plásticas e só senti necessidade de voltar a criar quando a minha filha nasceu, em 2016.
Em resumo, a arte e os meios artísticos sempre estiveram presentes na minha vida e foram a minha forma de comunicar e expressar durante muito tempo, principalmente quando não sabia expressar-me de outra forma.
3. E acha que o macramé, ou outros trabalhos manuais, podem ser uma boa ferramenta num currículo?
Vanda Coelho: Por vezes o currículo é confundido como a nossa melhor ferramenta para nos mostrarmos aos outros.
Penso que não. Trabalhos manuais, macramé, pintura, desenho, dança, teatro, escrita e/ou outro meio artístico que envolva criação artística é sempre uma mais valia para o desenvolvimento pessoal, cognitivo e bem-estar da pessoa. A arte de fazer tem o poder de mudar vidas e o currículo não é uma coisa vivida, é um papel que se mostra na tentativa de obter aprovação por alguém (empresa ou outro). A arte deve ser criada e vivida para si, só por si. Depois então, partilhada com o mundo se assim o entendermos, como uma parte de si, exposta; Por isso, requer muita coragem por quem o faz.

Vanda Coelho: Poderia dar a resposta cliché: a natureza o que também é verdade! As suas formas e cores inspiram-me mas o meu lado perfeccionista atraiçoa-me. Quando me inspiro na natureza, nada é tão belo quanto o que já foi criado e como não é fiel à realidade não me impressiona e as minhas expectativas ficam defraudadas. Na fotografia sim, todos os detalhes, raízes, formas, flores, pétalas com nervuras são majestosas dignas de se mostrarem e com esse media artístico, não sinto desconforto em ser hiper realista ao ponto de transformar a realidade. Mas na verdade a inspiração pode vir de um poema, de um livro ou filme ou simplesmente de uma peça que já existe e transformo à minha maneira. Acredito muito no poder de transformar, reciclar e reutilizar materiais que já existem, assim como “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” Antoine-Laurent de Lavoisier. desta forma temos produtos mais sustentáveis e amigos do ambiente. Essa é também uma preocupação na infinity knot. Se tivesse que escolher uma pessoa, diria que a minha maior inspiração é sem dúvida a minha filha de 8 anos. Ser mãe muda a nossa forma de ver o mundo, pelo menos foi o que me aconteceu e isso é muito inspirador além de transformador...
Normalmente para começar uma peça, tenho vários desenhos com ideias, posso começar por aí ou então uso a necessidade do momento para me inspirar e criar a peça que preciso. A arte também encontra a funcionalidade quando está no seu equilíbrio perfeito.

5. Quais os seus materiais favoritos? E cores?
Vanda Coelho: Pergunta difícil de responder, já devem ter percebido por esta altura que tudo depende da criação, do estado de espírito ou simplesmente do desejo do cliente.
Gosto de cores vibrantes, contrastes, mas o mundo do macramê quando iniciei era uma nuvem branca e beje e rapidamente me perdi na tentativa de ser vendável e vista pela comunidade. São riscos que se correm por querer fazer parte e eu também cometi esse erro. Penso que ainda não encontrei o meu público mas acredito que ele existe, onde a cor vibra e é exuberante.
6. E que tipo de peças são mais requisitadas? E serão para decorar que tipo de espaços?
Vanda Coelho: Artigos de mulher, peças pequenas pulseiras, carteiras, vestuário. A verdade é que não são artigos com que me identifico muito, apesar de ser feminina e valorizar a aparência da mulher, não é essa a mensagem que pretendo deixar. No final de 2023, afastei-me das redes sociais por cerca de 6 meses não entrei na conta, simplesmente deixei, sem aviso. As mudanças e o ritmo eram tão alucinantes que tive de me afastar, pela minha saúde e bem-estar. Entretanto, já voltei inicialmente só para obter inspiração, para seguir as tendências… Neste momento, só partilho nos stories aquilo que é inspirador para mim e pode ser inspirador para outras pessoas, não promovo as minhas peças, nem faço divulgação dos trabalhos que tenho desenvolvido recentemente. Aproximei-me novamente da pintura e desenho, que culminou numa exposição na Casa da Juventude em Odivelas no passado outubro. A Infinity Knot ganhou uma vertente de “ a arte de fazer” como meio terapêutico, aliás, neste momento, estou a fazer a formação em Arte-Terapia, o que acredito que irá mudar a trajetória deste projeto...

7. Tratando-se de um trabalho artesanal, qual o tempo médio para produção de uma peça? Trabalha por encomenda?
Vanda Coelho: Depende muito do tamanho da peça e da técnica utilizada, já demorei semanas a produzir um painel devido ao seu tamanho e também é possível terminar um painel num dia é muito relativo. Quando não estamos a falar do tempo de produção da peça, temos de ter em conta o tempo de preparação dos materiais, o que também demora. Trabalho manual é para se fazer com tempo e prazer. Infelizmente há muitos clientes que não entendem isso, tanto pelo preço como pela valorização do trabalho em si. Sim, faço trabalhos por encomenda e gosto de estabelecer um elo de ligação com os clientes pois todas as peças são personalizadas (únicas).

8. Decorar com artesanato voltou a ser tendência, mas num mercado pautado por tanta oferta, como procura diferenciar-se? Quais os grandes desafios que enfrenta, enquanto artesã?
Vanda Coelho: Acho que o problema é esse mesmo: - ser tendência, transformar em trend (fast) um trabalho que é manual é querer criar à pressa para fins lucrativos o que só o resultado da dedicação e tempo se consegue obter. O meu desafio não é a quantidade de artesãs que surgiram nos últimos anos a fazer o mesmo trabalho repetidamente. Nem a corrente de “professores” da tendência macramé na internet. O meu desafio é a arte de criar ser comprada pelas grandes marcas, banalizada para as lojas e vendida a preços absurdos onde nem é possível competir, distorcendo o verdadeiro valor do mercado artesanal. Concorrência sempre houve; A este nível talvez não, não sei. Mas a verdade é que gosto de acreditar que são públicos-alvo diferentes e quem valoriza verdadeiramente um artigo artesanal continua a comprar.

9. E como é que decorar a casa com arte pode contribuir para um maior equilíbrio entre o bem-estar físico e mental?
Vanda Coelho: Como referi anteriormente, a arte de fazer tem esta capacidade de transformar vidas, desta forma, quem a faz ou com quem convive com ela, penso que são pessoas criativas e que valorizam o trabalho manual que é sempre feito com muito amor e paixão. Além das suas casas ficarem personalizadas, à semelhança de cada um, ficam recheadas de amor. Queiramos quer não, somos sempre contagiados pela criatividade dos outros e isso é muito bom, podermos viver nessa bolha.
10. Por fim: se, por um lado, utilizar peças artesanais na decoração nunca deixará de ser uma forma eficaz de agregar valor e originalidade aos próprios ambientes em causa, por outro, o próprio conceito de gastronomia tanto pode englobar os produtos, a sua origem e os modos de os preparar, com o fim de proporcionar momentos incríveis à mesa entre múltiplas sensações a cada garfada. Mas que tipo de sugestões poderá indicar, aos caríssimos leitores da Revista P´rá Mesa, no sentido de ser possível incorporar o macramé numa mesa de refeições, ou até no próprio espaço de uma cozinha?
Vanda Coelho: Penso que “pr’a mesa” estar completa, tem de ter não só boa comida, mas também boas conversas, recheada de boas energias e de pessoas que amamos, só assim faz sentido. Claro que a decoração conta para toda esta dinâmica e o segredo está nos detalhes e pormenores que podemos acrescentar. Os guardanapos personalizados com a letra dos seus convidados, por exemplo, um porta-guardanapo elaborado em especial, para aquela ocasião, a combinação da base de um prato e porta-copo, o corredor central como peça decorativa, enfim… as possibilidades são infinitas e depende sempre destas 2 questões: Para que serve? Vai fazer a diferença? Se respondeu positivamente a estas duas perguntas, pergunte-se porquê que ainda não personalizou a sua mesa com acessórios artesanais. Estamos aqui para responder às suas dúvidas e encomendas.
Infinity knot.
initinity love.

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